Alberto Pecegueiro, , diretor-geral
Globosat: 'Com a chegada das classes C-D mudam as preferências e o consumo de conteúdos'
2012.06.04 | A Globosat, principal programadora de TV por assinatura do Brasil e da América Latina, conta com três grandes lançamentos para 2012: SporTV3 e OFF, que estrearam no começo do ano, e o Gloob dedicado ao público infantil, que chega este mês. Todos esses canais atendem classes sociais e targets que a empresa não alcançava anteriormente.
Sob a expectativa da nova lei de Serviços de Acesso Condicionado (SeAC), muitos programadores se preparam para o que virá, e a Globosat não é exceção. ‘Ainda devemos esperar a regulamentação da lei antes de tomar decisões. Estamos realizando estudos de impacto com o objetivo de coletar informação para quando começar a aplicá-la’, comenta Alberto Pecegueiro, diretor-geral da Globosat, a Prensario.
‘A primeira versão que tivemos acesso (a que foi colocada à consulta pública) tem diferenças importantes com o que pensamos. No momento, tudo está em processo de avaliação pela Ancine. Vemos algumas áreas cinzentas e conceitos que não estão totalmente claros. A tensão política que esta lei gera é algo que não se pode esconder’.
Mercado brasileiro
O executivo indica que ainda que a taxa anual de assinantes de TV por assinatura não siga crescendo 30% como ocorre atualmente os números projetados são surpreendentes. ‘É difícil manter o ritmo de crescimento, devido a alguns efeitos da crise mundial na indústria. De qualquer forma, um crescimento acima de 20% já é fantástico, considera.
Em relação às classes C-D, ressalta: ‘É algo que não se sucedeu nos 20 anos que tem a indústria no Brasil e devemos nos adaptar. Hoje, ¾ dos novos assinantes provêm da região nordeste: mudam as preferências e o tipo de consumo de conteúdos’, diz.
‘Estes públicos estão acostumados aos conteúdos da TV aberta, por isso é fundamental estudar seus gostos e acompanhá-los. Devemos ser flexíveis na programação e alinhar os conteúdos de acordo com esses gostos. Realizamos um forte investimento em estudos de mercado e pesquisas’.
Uma clara conseqüência da chegada destas classes é o que se sucede com a programação legendada. ‘A tecnologia nos tem permitido que o usuário possa escolher ver um programa legendado (preferido pelas classes A-B) ou vê-lo dublado em português. Entramos em um caminho sem retorno em direção aos conteúdos dublados’, afirma Pecegueiro.
Esportes, aventuras e crianças
O SporTV 3 é uma nova oferta esportiva com o objetivo de incrementar a cobertura dos Jogos Olímpicos de Londres deste ano, para os quais estúdios serão instalados nessa cidade e haverá uma grande equipe de produção.
Neste ano, a TV Globo não tem os direitos de cobertura, por isso, os desafios serão ‘muito grandes para o canal’, diz Pecegueiro, e acrescenta: ‘O SporTV 3 cresce em audiência, mesmo sem ter sido lançado na Sky (que tem limitação de freqüências)’.
No total, serão oito canais (4 HD e 4 SD) dedicados ao evento esportivo do ano. ‘Estamos avaliando um nono canal para transmitir em 3D. Queremos nos diferenciar claramente na transmissão e tentaremos fazer o melhor possível’, completa.
O OFF é outro grande lançamento: ‘É um canal HD e ainda que não tenha medição de audiência, a receptividade tem sido muito boa. O canal oferece programação de aventura e esportes extremos, segmento que é cada vez mais difícil classificar em um único target. É um canal para pessoas com atitude frente a este tipo de conteúdo’.
‘Alguns estúdios indicaram que os assinantes gostam de manter o canal sintonizado, já que a beleza e qualidade de transmissão o tornam atrativo a todos, inclusive àqueles que não estão interessados neste tipo de programação. Conta com 30% de produção própria e 70% de conteúdos internacionais’, completa.
O Gloob é o canal para crianças que será lançado no dia 15 de junho. ‘No começo, seria um canal HD. Mas, devido à demanda, acreditamos que seria melhor ter um canal SD também, garantindo 6 milhões de assinantes e sete patrocinadores que já confirmaram apoio’.
‘As expectativas com este canal são cautelosas. Sabemos que há várias marcas internacionais no Brasil que têm uma fidelidade importante com este segmento (Nick, Cartoon Network, Disney), mas percebemos uma oportunidade com o segmento de 5-9 anos que esses canais não atendiam e decidimos apostar ali. Acreditamos que a consolidação será em dois ou três anos. É um trabalho de longo prazo’.
O canal terá conteúdos da Disney (que tem um acordo de “volumen deal” com a Globo) e filmes do Telecine (canal Premium do grupo), o que permitirá realizar cross promotion nos dois canais, e também algumas séries animadas brasileiras. ‘Haverá uma série chamada Os detetives do Prédio Azul, realizada pela produtora local Conspiração’, completa Pecegueiro.
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