Tecnología
SET EXPO 2026: Copa de 2026 impulsiona inovação tecnológica e acelera testes de TV 3.0 nas emissoras
A TV 3.0 foi o tema central de diversos painéis do primeiro dia do 38 Congresso SET EXPO 2026. Nas mais de 20 palestras desta segunda-feira, 17 de agosto, no Distrito Anhembi, em São paulo, discutiram desde aplicações práticas durante a cobertura da Copa do Mundo de 2026 até desafios relacionados à recepção de sinal, medição de audiência, interatividade, uso de dados e novos modelos de monetização.As apresentações mostraram como o novo padrão está aproximando a radiodifusão de características já presentes no ambiente digital, sem abrir mão do alcance da televisão aberta.
Um dos exemplos apresentados foi a cobertura da Copa do Mundo de 2026 realizada pela Globo. Segundo Felipe Bittencourt, diretor de Tecnologia para Conteúdo e Regionais da emissora, o torneio serviu para ampliar experimentações ligadas à TV 3.0. A operação incorporou funcionalidades como múltiplas opções de áudio, acesso a dados das partidas, conteúdos complementares dos portais da empresa e sinais adicionais. “Foi um esforço enorme nosso”, afirmou. A infraestrutura precisou atender uma competição distribuída entre Estados Unidos, México e Canadá, em quatro fusos horários e com milhares de quilômetros entre as sedes.
No painel “TV 3.0 focada na audiência”, os debatedores destacaram que a evolução tecnológica precisa manter o compromisso histórico da televisão aberta com a universalização do acesso. Bráulio Ribeiro, diretor de Engenharia, Tecnologia e Operações da EBC, afirmou que a nova plataforma deve considerar as diferenças de conectividade existentes no país. “A mudança precisa ser inclusiva, pois ainda não temos um país em que todo mundo tem acesso à Internet”, disse. O debate também abordou as possibilidades de interação do público com a programação e os impactos dessa transformação na experiência do telespectador.
A mudança tecnológica também deverá provocar alterações nos modelos de medição de audiência. Adriano Adoryan, gerente de Soluções da RNP, observou que a interatividade permitirá novos mecanismos de acompanhamento do consumo de conteúdo. “As medições do Ibope não serão mais possíveis, pois não será mais apenas medir os aparelhos ligados. Será preciso repensar isso também”, afirmou. Segundo os participantes, a capacidade de retorno de informações diretamente dos receptores abre caminho para métricas mais detalhadas de uso e engajamento.
LC