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Streaming Brasil 2026: Dados e publicidade: o redesenho dos modelos de distribuição no Brasil

06-05-2026
Executivos de operadoras, programadoras, plataformas e empresas de tecnologia discutem, no Streaming Brasil 2026, o avanço do empacotamento, a maturidade do FAST, o papel dos dados e a convergência entre streaming, publicidade e TV 3.0.

A 10ª edição do Streaming Brasil, realizada nesta terça-feira, 5 de maio, em São Paulo, reuniu executivos do setor audiovisual e tecnológico para debater a consolidação dos modelos de distribuição de conteúdo digital, com foco em streaming, publicidade e novas plataformas.

Na entrevista de abertura, Ricardo Falcão, diretor da Claro TV, afirmou que a operadora deixou de atuar apenas como distribuidora para se tornar um agregador de conteúdos. “A gente passou de ser uma empresa de distribuição de conteúdo para ser um agregador”, disse. Segundo ele, essa mudança começou durante a pandemia, quando a empresa decidiu integrar plataformas de streaming à própria oferta. 'Tínhamos que ser um hub integrador que tivesse uma plataforma', explicou.

A estratégia se consolidou a partir de 2022, com acordos com programadoras como Globo e Netflix, e resultou em uma plataforma desvinculada do cabo. Em 2025, o modelo de empacotamento voltou a impulsionar o crescimento da base. 'Em setembro tivemos mais vendas do que desconexões”, afirmou Falcão, destacando a redução do churn e uma base considerada mais saudável. O executivo citou ainda o impacto do combate à pirataria na Argentina e de grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo, no desempenho comercial.

Para Falcão, o valor do empacotamento está sustentado em dois pilares: conveniência e preço. 'Ter tudo no mesmo lugar, na mesma plataforma”, e um valor conjunto mais competitivo do que as assinaturas avulsas. Ele ressaltou ainda melhorias na jornada do usuário: “Desde o onboarding até a navegação, com uma experiência mais fluida, sem ruído e mais ágil'.

No painel 'Combos de serviços de streaming: bundle ou fidelização?”, José Carlos Rocha, diretor executivo de negócios B2C da Vero, disse que a estratégia da empresa passa por “agregar valor” e diferenciar a oferta. Segundo ele, a entrada da Apple TV na base ajudou a empresa a crescer 14%. “O streaming é fundamental para sermos competitivos”, afirmou.

Ranira Camelo, gerente sênior de parcerias estratégicas da Globo, destacou que ainda há espaço de crescimento para o Globoplay em diferentes regiões do país. “Toda empresa que tenha uma grande base de clientes pode ser uma possível parceria de distribuição de conteúdo”, disse, citando acordos com operadoras, bancos e varejistas.

Fábio Moreira, CMO da CeletiHUB, afirmou que a agregação de conteúdo só passou a fazer sentido quando a banda larga deixou de ser uma barreira. “Hoje, o trabalho é educar para a venda de produtos e mostrar o valor da marca, em um cenário de guerra da atenção”, disse.

Fernando Magalhães, diretor de conteúdo da Claro, avaliou que o modelo de superbundle amplia a retenção. 'O assinante escolhe a Claro por um jogo de troca. Damos valor, e a plataforma ganha retenção', afirmou. Segundo ele, a operadora testa diferentes perfis de players, dos tradicionais às big techs, e vê nos canais FAST 'um risco e uma oportunidade', especialmente diante dos desafios regulatórios.

Na conferência 'A inteligência de dados por trás da nova era', Adriana Pascale destacou a importância de ir além do simples consumo de conteúdo. Segundo ela, entender oferta, demanda e afinidade permite decisões mais precisas. “Saímos do achismo. A estratégia passa a ser fundamental”, afirmou, ressaltando a transição da segmentação demográfica para a psicográfica.

O painel sobre FAST e TVs conectadas mostrou que a monetização ainda está em amadurecimento. Yassue Inoki, presidente da ABOTTs, disse que os canais FAST ainda não encontraram a “equação correta”. 'Lançar um canal FAST não é difícil. O difícil é mensurar, ter relevância e capturar a atenção do usuário', afirmou. Milton Neto, da Offgrid, reforçou que o desafio passa por educar as agências de publicidade em um mercado com mais de 45 milhões de TVs conectadas ativas.

Encerrando a manhã, o painel sobre publicidade no streaming e na TV 3.0 destacou a convergência entre broadcast e broadband. Eliseu Barreira Jr., da Globo, afirmou que a TV 3.0 vai transformar a experiência publicitária, com testes já em curso. “O Globoplay é a porta de entrada da TV 3.0”, disse, apontando a inserção dinâmica de anúncios e a interatividade como pilares do novo modelo.

Outro ponto central do debate foi a TV 3.0 e sua convergência com o streaming. Eliseu Barreira Jr., diretor de estratégia de publicidade e inteligência de negócios da Globo, afirmou que a nova geração da TV aberta, ao integrar broadcast e broadband, tende a transformar a experiência publicitária. Segundo ele, os testes tiveram início em 2022 e avançam com novas experiências previstas durante a Copa do Mundo, em São Paulo e no Rio de Janeiro, dentro de uma jornada de implementação que se estende até 2032. 'O Globoplay é a porta de entrada da TV 3.0”, disse, ressaltando que a plataforma já concentra testes de inserção dinâmica de anúncios (DAI), tanto nas emissoras próprias quanto nas afiliadas. Barreira também destacou que a interatividade será um dos pilares desse novo modelo, aproveitando experiências já desenvolvidas no ambiente de streaming ao vivo, com formatos publicitários compartilhando, no fim do processo, “uma mesma camada de publicidade” entre TV aberta e plataformas digitais.

A programação da tarde da 10ª edição do Streaming Brasil 2026 concentrou-se em temas estratégicos do ecossistema audiovisual, com debates sobre diversidade de conteúdos, regulação, combate à pirataria e a consolidação dos esportes como motor do streaming. O primeiro painel, “Dos conteúdos públicos aos independentes: há espaço para a diversificação?”, reuniu representantes de canais públicos, produtores e operadores para discutir como conteúdos de interesse público e de nicho podem se posicionar em um mercado dominado por grandes plataformas. Um dos destaques foi a participação da TV Senado, que apresentou sua transformação em uma operação híbrida, combinando TV aberta, streaming e forte presença digital.

Érico da Silveira explicou que a TV Senado ampliou sua atuação para além da produção institucional, adotando o streaming como ferramenta para aproximar-se da sociedade. A emissora consolidou sua estratégia no YouTube há mais de 15 anos, apostando em transmissões ao vivo simultâneas do plenário e conteúdos voltados às redes sociais. Hoje, soma mais de 2 milhões de inscritos na plataforma e crescimento expressivo no Instagram e no TikTok, o que ampliou o alcance da comunicação pública. Silveira destacou ainda parcerias com distribuidores e a presença da TV Senado no Globoplay, apesar dos desafios de monetização no ambiente digital. No debate sobre TV 3.0 e DTV+, o representante afirmou que a TV pública precisa manter soberania tecnológica e versatilidade de distribuição para ampliar seu alcance e oferecer experiências específicas ao público.

A discussão sobre regulação e pirataria dominou o painel 'Regulamentação e pirataria: espera, avanços e retrocessos”, que contou com forte participação da Motion Picture Association (MPA) e da Ancine. Andressa Pappas, da Motion Picture Association (MPA Brasil), alertou para os riscos diretos ao consumidor associados à pirataria, destacando dados que apontam ambientes ilegais como significativamente mais perigosos do ponto de vista cibernético, com incidência de fraudes, malware, ransomware e vazamento de dados. A executiva defendeu políticas públicas voltadas à conscientização do consumidor. Representando a Ancine, Eduardo Carneiro detalhou o avanço do bloqueio administrativo de sites ilegais, posicionando o Brasil entre os países mais avançados no combate à pirataria online, com milhares de alvos já bloqueados e redução superior a 80% da atividade pirata monitorada.

O encerramento da tarde ficou por conta do painel 'Streaming e esportes: quando a inovação vira mainstream', que trouxe executivos da Globo, CazéTV e Warner Bros. Discovery. Sasha Nejaim, da Globo, destacou que no Brasil os esportes ao vivo têm características únicas: são conteúdos de massa, sem substitutos, altamente imprevisíveis e com calendário regular, fatores que impulsionam o engajamento e a retenção no streaming. Segundo o executivo, o streaming se consolidou definitivamente, levando os detentores de direitos a repensarem estratégias de agregação de valor em um cenário de convergência entre TV aberta, digital e plataformas.

Corresponsal Fernando Moura

 

LC

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